Suicídios no trabalho
A Igreja Católica em França publicou no site da Conferência Episcopal a sua posição sobre o problema dos suicídios no mundo do trabalho. O porta-voz do Episcopado, Pe. Bernard Podvin, convidou os envolvidos neste grave problema social a “deter o desespero perante o qual não se pode resignar”.
O debate abriu-se após o 24º suicídio registado nos últimos 18 meses na empresa France Telecom.
“Há dias que várias pessoas nos comunicam que se sentem muito abaladas pelo número de suicídios no trabalho. Um só suicídio já seria demais e bastaria para comover-nos”, explica Pe. Podvin, questionando a pressão exercida sobre os trabalhadores, e até que ponto o homem não vislumbra outra saída senão pôr fim aos seus dias.
Na sua declaração, o Pe. Bernard Podvin reitera que o trabalho humano é uma dimensão fundamental para o desenvolvimento da pessoa e para o bem comum: “Uma sociedade que não proporciona trabalho, ou que impõe algumas condições inaceitáveis, já não é digna de si mesma”.
O porta-voz dos bispos conclui recordando que a vida é um dom e tem um valor inestimável.
Cá em Portugal, neste ano de 2009, e só até ontem, já se suicidaram 8 militares da GNR. E isto é apenas um exemplo!
E nós Portugueses, é neste caminho que queremos continuar a seguir, e a assobiar para o lado, como se não estivesse a acontecer nada de grave???
E ainda há gente que diz que não tem nada a ver com isto? E que acha que não tem de ir votar?
Acorda Portugal! Começa por votar no Trevo e eleger o Mário, agora, já, no dia 11!
Azeitonenses e Setubalenses, esta é a vossa vez de começar a Mudança Já!
Para Recuperar Setúbal
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Crise económica, desemprego e Pequenas e Médias Empresas (PMEs)
A economia Portuguesa tem, agora, a maior taxa de falência de empresas da Europa, apesar de estar em terceiro lugar quanto à criação de novas empresas;
Enquanto o País parava para férias, faliram mais 5.200 empresas;
Apenas 73% das empresas criadas conseguem sobreviver ao seu primeiro ano de actividade, e só 59% conseguem sobreviver 2 anos.
Estes são os números oficiais, e a eles é necessário somar uma quantidade não declarada de actividades em nome individual ou como trabalhador autónomo que, na nossa análise, deve ultrapassar, em muito, os números do governo.
É que estes trabalhadores nem sequer têm recursos para fechar as suas empresas falidas e dar baixa delas ao fisco porque, simplesmente, desanimaram, desistiram, baixaram os braços, foram vencidos pelas políticas persecutórias do governo, pelo assalto fiscal, pelo infame e inconstitucional Pagamento Especial por Conta (PEC) perpetrado pela Dra. Manuela, pelas constantes “inspecções” dos fiscais do governo, pelos atrasos nos licenciamentos, pela carga exagerada das contribuições para a Segurança Social, pelo aperto da tesouraria, pela falta de capital de risco, e pelo esbulho financeiro e patrimonial perpetrado pela banca privada e também pela do Estado. Não é à toa que a CGD é a maior proprietária de imóveis deste País!
A insensibilidade e a incapacidade destes governos do PS e do PSD que desde o 25 de Abril nos estão afundando, não lhes permitiu ler os sinais da crise económica provocada pela globalização, com a entrada da India e da China na era industrial global.
E não tomaram nenhuma medida correctiva. O governo preferiu enganar os Portugueses, fingindo apagar os “fogos” à medida que iam aparecendo, isto é, todos os dias, dando subsídios aos industriais estrangeiros para manter as indústrias falidas a fingir que funcionam, e fazendo de conta que estão a formar os trabalhadores. Tudo com o nosso dinheiro, como se nós tivessemos uma fonte inesgotável para atender a todos esses gastos descontrolados.
Igualmente, estes governos não souberam entender os sinais evidentes, e largamente denunciados, da crise financeira que desde 2007 avançava a passos galopantes para engulir as nossas poupanças. Como já se verificou!
Pelos números oficiais, só em 2005 faliram cerca de 130.000 micro empresas, lançando no desemprego mais de 196.000 pessoas.
Entre 2001 e 2006, a taxa de desemprego duplicou! Esta evidência deveria ter sido suficiente para que o desgoverno do nosso País tivesse acordado da sonolência dos incapazes, porque a gritaria da Sociedade era, entretanto, enorme.
Mas não! O governo manteve-se autista, não quis ouvir as associações, nem os sindicatos, nem os académicos, isto é, esteve-se “marimbando” para os Portugueses. Orgulhosamente só, o governo seguiu teimosamente (o que é bem diferente de ser determinado) afundando o País e endividando o Povo. Aliás, nem sequer quis ouvir as reclamações e os avisos das alas dissidentes do seu próprio partido!
Como resultado, Portugal chegou a uma taxa oficial de desemprego superior a 9%, com mais de 500.000 pessoas no desemprego, sempre pelos números do governo, aos quais há que acrescentar pelo menos mais meio milhão de desempregados que não constam nos chamados centros de emprego, porque foram tirados das listas, porque terminou o prazo para receber subsídio de desemprego; ou porque são desempregados de longa-duração que estão disfarçados de alunos de centros de formação. Isto, além das dezenas de milhar de estudantes que se formaram e não encontram emprego em lugar nenhum, e de ex-trabalhadores com baixa médica, e de emigrantes que trabalhavam neste País e que agora se encontram desempregados e sem subsídio de qualquer espécie.
Infelizmente, estamos a assistir a uma subida acelerada do desemprego, não só nos sectores dos texteis e calçado, construção, e automóvel, nem sequer só entre as mulheres, que sofreram logo o primeiro impacto do desemprego, mas também em todos os outros sectores da indústria, comércio e serviços, atingindo todos, até os homens jovens em plena fase produtiva, agora também condenados à injustiça social do desemprego e da falta de horizontes de vida.
Só a título de exemplo, mais da metade dos jovens que terminam um curso superior vão directamente para o desemprego, conforme o próprio governo reconhece.
E os professores? Alguém se lembra deles? Eles também estão desempregados, e também deveriam contar para a “estatística do Sócrates”.
E é bom não esquecer o desemprego actual e o outro que vem já a seguir às eleições para todos aqueles que agora estão a receber um qualquer subsídiozinho (que só vai existir até ao fim de Outubro, e acabará logo porque não há fundos para o pagar).
O próprio governo diz que em 2010 haverá mais 200.000 desempregados no nosso País!
Por outro lado, o governo mandou os seus fiscais “fiscalizar”, de novo, todas as empresas que se encontram legalizadas, porque essas são mais fáceis de localizar, e de extorquir multas por licenças vencidas, por pagamentos em atraso, etc., em vez de ir atrás dos faltosos do costume.
O assalto fiscal é, absolutamente, sem precedentes. As Finanças penhoram primeiro e notificam depois, para obrigar as empresas e os cidadãos a entregar ao governo os seus recursos e o seu património. E isto, mesmo quando se prova, depois, que o Fisco não tinha razão, como é no caso de pelo menos metade das pessoas assaltadas pelo Fisco.
Além disso, o governo segura em suas mãos a devolução do IVA através de atrasos burocráticos e de ameaças de inspecções incomportáveis com a capacidade das micro e pequenas empresas, enxugando, com isso, o caixa das MPEs.
Também, muitas micro e pequenas empresas são forçadas a pagar os famigerados Pagamentos Especiais por Conta (PEC), inventados pela Dra. Manuela, para sacar os presumíveis lucros das micro e pequenas empresas mesmo antes de os poder realizar.
Só por causa destas perseguições do Sócrates, foram instaurados mais de 5 milhões e meio de processos fiscais contra as micro e pequenas empresas deste País, e já foram à falência mais de 150.000 micro e pequenos empresários, lançando directa e indirectamente no desemprego mais de 600.000 pessoas que trabalhavam e carregavam nas costas este País.
E você ainda está ponderando se vota no PS ou no PSD???
Enquanto isso, o governo continua a fazer as mesmas promessas que já nos fez nas anteriores eleições, apesar de que não cumpriu nenhuma delas.
Prometeu criar 200.000 empregos, mas enviou muito mais do que isso para o desemprego, e mostrou que não é capaz de relançar a economia.
Veja só: O governo decidiu transferir 8 biliões de Euros, de dinheiro que tomou emprestado no mercado financeiro internacional, para tapar os buracos da banca, em vez de financiar quem trabalha e produz.
Esta gastança dos dinheiros públicos para acudir aos erros dos amigalhaços, que hoje já vai em cerca de 20 mil milhões de Euros, não podia, nem devia, ter sido feita às custas de hipotecar o futuro de todos os que hoje e amanhã terão de trabalhar para pagar essa dívida pública improdutiva, isto é, nós, os nossos filhos e os nossos netos. E este problema já se nos coloca no dia de hoje, pois as nossas crianças, quando nascem, já estão a dever 13 mil Euros! E o Sócrates ainda acha que vai indemnizar cada criança com 200 euros, dinheiro esse que ficará, durante 18 anos, nas mãos dos banqueiros!!! Mas que amigo!
Além disso, é preciso ter em conta que as empresas fecham porque o Estado é mau pagador, e inicia uma cadeia da infelicidade que rebenta invariavelmente na cabeça dos micro e pequenos empresários; porque o governo agrava todos os custos de operação de uma empresa, a começar pelos custos fiscais penalizantes e a contribuição para a Segurança Social, mesmo sobre as micro e pequenas empresas; …
Enquanto isso, o governo fica desperdiçando “incentivos” com empresas que logo em seguida se deslocalizam para o estrangeiro, levando o dinheiro e as máquinas, e dixando aqui as contas por pagar, e mais alguns milhares de desempregados, em vez de financiar o funcionamento das 300 mil MPEs, que existiam quando o Sócrates assumiu o governo de Portugal, e que representavam mais de três quartos do emprego total, e mais da metade do total da economia do País.
Infelizmente, o Povo tem sido vítima da desmontagem da nossa economia produtiva que estes governos PSD e PS vêm perpetrando desde a entrada na União Europeia (e seu antecedente nos idos da década de 80).
Por isso, só nos resta correr com estes politiqueiros, votar nos pequenos partidos, eleger novos políticos comprometidos com uma liderança de serviço, e chamar os independentes capazes para participar num Governo fundado no mérito e na capacidade proactiva de Recuperar Portugal.
Cidadão eleitor, opte pela mudança total e urgente.
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Pequena Reflexão sobre a Crise de Confiança
Parece que o País já entendeu que é insensato que se coloque o projecto do TGV como prioridade nacional.
Dar prioridade ao TGV, num quadro de crise como este, não pode ser sério, nem honesto. Portugal está enormemente endividado, o défice voltou a ultrapassar os 6%, e o desemprego já é um drama social. Contrair mais dívidas sem retorno é agravar esta situação. Seria como numa família que já não tem dinheiro para comer, o marido dizer à mulher que quer trocar de carro, e logo pelo mais caro do mundo, quando há outras opções mais úteis e económicas.
Chegamos à área da escola, e logo nos sentimos obrigados a perguntar quem é o cliente, se é o governo, o professor, o aluno, a família, ou a sociedade.
Se quisermos, e querer isso torna-se cada vez mais urgente, teremos que nos perguntar primeiro o que entendemos por educação, o que queremos que seja a Educação.
Quando nos deparamos com o que vem acontecendo no nosso país, logo a nível de um Estado que se arroga o direito de ser o único educador (não esqueçamos que por aqui começam as ditaduras), não é desculpável que nos calemos ou que simplesmente nos comportemos com indiferença, porque a Educação é a base do nosso Futuro.
A Família, que é a primeira e insubstituível Escola, tem que estar na escola, tem que acompanhar a escola, tem que integrar a escola, nem que seja para protestar.
A Escola, como família alongada ou prolongada, é o primeiro alvo daqueles que querem abrir as portas à modernidadezinha dos números convenientes, esquecendo que estamos a educar os cidadãos do Futuro.
Estes governos querem tirar dos dicionários a palavra Família com toda a riqueza e estrutura social e política que encerra.
A globalização transforma o mundo a olhos nunca vistos, de tal forma, e com tal rapidez, que muitas vezes nem sabemos em que terra e em que tempo estamos.
Se teimamos em não nos querer alienar dos grandes e estruturantes valores que nos criaram, chamam-nos logo de conservadores e retrógrados.
Com estes governos, para se ser moderna e politicamente correcto é preciso negar ou agredir a vida, também brincando à vida e com a vida dos outros.
E querem obrigar-nos a recorrer a impensáveis habilidades para passarmos por outros e para enganarmos toda a gente.
Eles querem obrigar-nos a seguir os ídolos do marketeirismo politiqueiro e comercialesco que a cada momento nos iriam satisfazer as ganas consumistas.
Na sociedadezinha que estes governos querem criar, para se ser moderno a sério, teríamos também de negar o próprio Deus, e os valores que serviram para construir Portugal, com o furor e a raiva com que tantos o vêm fazendo.
Mas, será possível que tal modernidadezinha não nos incomode e não nos faça reagir? Será que isto não nos alerta e não nos faz apontar para novos caminhos? Será que perante estes avisos estamos mesmo dispostos a responder, estamos mesmo prontos para avançar, enfrentar os desafios e construir novas propostas?
Será que queremos mesmo Recuperar Portugal?!!!
Nesta hora, não pode ser aceitável querer continuar trocando o mau pelo mauzinho, apostando na lotaria, para ver se nos safamos só nós, e largando os outros para lá. Chega de egoísmo, chega de abstenção, porque o que está em causa nestas eleições é solucionar a Crise de Confiança, é escolher a pessoa que poderá tirar Portugal da crise em que se encontra e, com toda a certeza, não é com estes governantes que há décadas vêm desgraçando o nosso País que se vai fazer qualquer mudançazinha.
Como sugeriu Jorge de Sena: se não podermos mais salvar Portugal, teremos é de nos salvar de Portugal.
Esta é a reflexão política que não se pode mais adiar, porque o Povo que nos entusiasma também nos dá forças para novas ideias, novos projectos, novas realizações.
Não, o Povo não é parvo, e já percebeu que está na hora de mudar para valer.
O Cidadão já sabe que é preciso tirar estes politiqueiros do seu poleiro.
O Português sente que agora é a hora, que esta é a oportunidade de virar a mesa.
O Eleitor já sabe que para conseguir a Mudança Efectiva é preciso Votar e eleger o Mário.
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A OPORTUNIDADE PARA RECUPERAR PORTUGAL
A crise actual não é gerada apenas pelas deficiências estruturais da nossa economia, mas também, e sobretudo, pelos desequilíbrios sociais e políticos, e o seu saneamento exige que sejam tomadas medidas profundas, determinadas, bem geridas e coordenadas entre si, que sejam explicadas e entendidas pelos cidadãos.
Portugal não poderá continuar na cauda da Europa, porque será atropelado pelos novos países entrantes, que chegam com mão-de-obra mais barata, menor custo de vida e de insumos, melhor formação de recursos humanos, e desejosos de não desperdiçar a grande oportunidade de desenvolvimento que os fundos da União Europeia (UE) devem proporcionar.
O País precisa que os seus melhores empresários, gestores, académicos e políticos sejam chamados para dirigir o Estado, as empresas públicas e privadas, e toda a actividade económica, social e política.
A Nação precisa do contributo dos profissionais experientes, do dinamismo e da capacidade empreendedora dos jovens, e precisa de ter sonhos viáveis e de pronta realização.
Todos os decisores, incluindo os políticos, têm de ter responsabilidade pública, e precisam de assumir a responsabilidade das políticas que perseguem.
Para Recuperar Portugal é necessário que todos participemos na tomada de decisões.
Por isso, o critério de atribuição de responsabilidades e de cargos públicos tem de ser o do mérito, e não o da fidelidade cega, e dos conchavos.
Nenhum Estado pode se dar ao luxo de delapidar recursos públicos cada vez mais escassos criando redes infindáveis de subsídio-dependência.
Nem nenhum País pode garantir os direitos de reforma dos seus trabalhadores se não houver uma vasta base de cidadãos que trabalham e produzem, e que sustentam com a sua contribuição a devida reforma daqueles que trabalharam antes deles.
A melhoria do nível e da qualidade de vida dos nossos cidadãos só se consegue se criarmos e fixarmos novos empregos, se mudarmos a cultura para que o valor da produção e do trabalho suplante o dos subsídios.
O investimento público e privado tem de ser canalizado para actividades geradoras de empregos estáveis, não deslocalizáveis, com elevada componente tecnológica, e em áreas onde o País tem evidentes vantagens competitivas.
Faz-se necessária uma grande mobilização de competências e de recursos humanos, tanto da parte do Estado quanto da Sociedade Civil, para que a mudança se institucionalize e possa produzir benefícios palpáveis que possam ser efectivamente apropriados pela população.
A despesa pública tem de ser substancialmente reduzida, enquanto o investimento público tem de ser significativamente aumentado.
Todos os serviços públicos têm de se reger por um padrão de qualidade, eficiência, eficácia e efectividade.
As políticas públicas devem ser amplamente debatidas, claras e estáveis, para que possam funcionar como orientação, compromisso e estímulo para os empresários e os investidores, quer nacionais quer estrangeiros.
A gestão do Estado e das empresas públicas, assim como de toda a actividade empresarial privada, tem de aceitar as regras da concorrência global, e tem de se orientar para o cliente, isto é, para servir a população.
Para isso ser possível torna-se necessário que todas as organizações definam a sua visão, a sua missão, e a sua estratégia, façam uso generalizado das novas tecnologias, e invistam decisivamente na formação dos seus colaboradores.
No capítulo da energia, o País precisa abandonar a dependência dos combustíveis fósseis.
O petróleo é um recurso caro, e que nós não possuímos, e por isso não devemos fazer depender dele toda a nossa actividade.
Felizmente nós temos melhores alternativas, as energias limpas, pois fomos abençoados com farta energia eólica e solar e, sobretudo, metade do nosso perímetro dispõe de acesso fácil à energia produzida pelas marés, as correntes e as ondas do mar.
Os agentes da mudança precisam estar atentos às oportunidades de financiamento através de fundos da UE, para que possam utilizá-los para desenvolver aquelas actividades que são estratégicas para Portugal, e que tragam reais benefícios para os investidores, os trabalhadores e toda a população, quer no presente quer no futuro.
O esperado e pretendido desenvolvimento sustentável do nosso País só poderá se concretizar se houver uma mudança cultural que motive a criação de um novo padrão político, social e económico voltado para a dignificação humana, a eliminação da miséria, a generalização do trabalho, o equilíbrio regional, a interiorização dos benefícios e da paz social.
Se não fizermos tudo isso, quando um dia a crise global passar, o nosso País continuará em crise.
E não me venha nenhum beneficiário do sistema, metido a comentador político, dizer que eu também sou catastrofista e que gosto de dizer coisas engraçadas.
A hora de mudar é agora!
Mário Nogueira
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Reflexões pelo Professor Medina Carreira
Nota: O Professor Medina Carreira, um dos mais capacitados economistas portugueses, sempre que fala, deixa o País a reflectir, estupefacto. Aqui deixamos a síntese de uma das últimas entrevistas que concedeu, e a não perder.
"Vocês, comunicação social o que dão é esta conversa de «inflação menos 1 ponto», o «crescimento 0,1 em vez de 0,6»....Se as pessoas soubessem o que é 0,1 de crescimento, que é um café por português de 3 em 3 dias... Portanto andamos a discutir um café de 3 em 3 dias...mas é sem açúcar...."
"Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularucho» porque não dependo do aparelho político!"
"Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar «6x3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9... Isto é ensino...é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!"
"Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1% em 2...esta economia não resiste num país europeu."
"Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse."
"Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis? P'ra gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos? Acha que sim? A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela? Quer dizer, isto está tudo louco!"
"A minha opinião desde há muito tempo é TGV- Não! Para um país com este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do petróleo. "Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não? Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós ficamos encalacrados no estrangeiro? Eu nem comento essa afirmação que é para não ir mais longe... Bragança com uma boa estrada fica muito bem ligada. Quem tem interesse que se façam estas obras é o Governo Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os construtores, são os vendedores de maquinaria... Esses é que têm interesse, não é o Português!"
"Mas você acredita nesse «considerado bem»? Então, o meu amigo encomenda aí uma ponte que é orçamentada para 100 e depois custa 400? Não há uma obra que não custe 3 ou 4 vezes mais? Não acha que isto é um saque dos dinheiros públicos? E não vejo intervenção da polícia... Há-de acreditar que há muita gente que fica com a grande parte da diferença!"
"Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais complicado aquilo for..."
"Nós tivemos nos últimos 10-12 anos 4 Primeiros-Ministros:
-Um desapareceu;
-O outro arranjou um melhor emprego em Bruxelas, foi-se embora;
-O outro foi mandado embora pelo Presidente da República;
-E este coitado, anda a ver se consegue chegar ao fim e fazer alguma coisa..."
"O João Cravinho tentou resolver o problema da corrupção em Portugal. Tentou. Foi "exilado" para Londres. O Carrilho também falava um bocado, foi para Paris. O Alegre depois não sei para onde ele irá... Em Portugal quem fala contra a corrupção ou é mandado para um "exílio dourado", ou então é entupido e cercado."
"De acordo com as circunstâncias previstas, nós por volta de 2020 somos o país mais pobre da União Europeia. É claro que vamos ter o nome de Lisboa na estratégia, e vamos ter, eventualmente, o nome de Lisboa no tratado. É, mas não passa disso. É só para entreter a gente..."
"Isto é um circo. É uma palhaçada. Nas eleições, uns não sabem o que estão a prometer, e outros são declaradamente uns mentirosos: Prometem aquilo que sabem que não podem."
"A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: Com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva.... O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?"
"Os exames são uma vergonha. Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada! "
"Nós em Portugal sabemos é resolver o problema dos outros: A guerra do Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem, conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios... Receber os prisioneiros de Guantanamo? «Isso fica bem e a alimentação não deve ser cara...» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e deixemos lá os outros... Isso é um sintoma de inferioridade que a gente tem, estar sempre a olhar para os outros. Olhemos para nós!"
"A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos. Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de que isto é a maldita crise. Não é!"
"Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões! Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões! Quem é que vai pagar?"
"Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade. Era vender sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir..."
"Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na Assembleia...Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação... Poupe-me a esse espectáculo...."
"Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum. Eu já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada"» Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo... Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas. Isso é descentralizar a «bandalheira»."
"Há dias circulava na Internet uma notícia sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina... Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram «meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina... Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação... Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice..."
"É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país está a levar. Um país que empobrece, que se torna cada vez mais desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe."
"Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente mais pobres, mas aqui quentinhos, pacíficos, amiguinhos, a passar a mão uns pelos outros... Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com barulho... Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai empobrecer, provavelmente com muito barulho... Eu achava que não havia «barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que quiserem..."
"Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto, nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem... No longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a angústia da economia portuguesa."
"Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sítio. Esta inter-penetração do político com o económico, das empresas que vão buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas... Isto não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si... Porque é que se vai buscar políticos para as empresas? É o sistema, é a (des)educação que a gente tem para a vida política... Um político é um político. E um empresário é um empresário. E não deve haver confusões entre uma coisa e outra.. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá, volta-se para ministro...é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à sociedade."
"Este país não vai de habilidades nem de espectáculos. Este país vai de seriedade.
Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a distribuir computadores, eles não são ministros! Eles não são pagos nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que perceber quais os grandes problemas do país!"
"Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores dizem «este tipo é chato, é pessimista».... Se vem aqui outro trafulha a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito... Vocês têm que arranjar um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para ouvir.
O Português está farto de ser enganado!
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Precisa-se de matéria-prima para construir o País
EDUARDO PRADO COELHO - IN PÚBLICO
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
O que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria-prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano;
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos;
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros;
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica;
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns;
- Onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame;
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar;
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão;
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria-prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa
desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO!
Eduardo Prado Coelho, antes de falecer, teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos, por isso façam uma leitura atenta.
ATREVE-TE A LER, OUSA REFLECTIR ....
Eduardo Prado Coelho - in Público
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